A pequena abelha sem ferrão que foi testada para polinizar tomate em estufa
Pesquisadores avaliaram a Nannotrigona perilampoides em cultivo de tomate protegido no México. A espécie também poliniza café, chuchu e cucurbitáceas, e tem mais de oito nomes populares na América Central.
Quando se fala em polinização agrícola, muita gente pensa logo na abelha-europeia (Apis mellifera) ou nas mamangavas usadas em estufas. Mas algumas abelhas sem ferrão também já foram testadas como polinizadoras de culturas comerciais, e uma delas é a Nannotrigona perilampoides.
Uma abelha da América Central e do México
A Nannotrigona perilampoides não ocorre no Brasil. Ela vive do México ao Panamá: está registrada em 18 estados mexicanos, além de Costa Rica, El Salvador, Guatemala e Honduras. É uma abelha pequena, como as outras do gênero Nannotrigona, mas com um papel importante nos ambientes em que vive.
Testada em estufa de verdade
Em 2004, um grupo de pesquisadores liderado por Cauich publicou no Journal of Economic Entomology um estudo sobre o comportamento e a eficiência dessa abelha como polinizadora de tomate cultivado em estufa, numa região subtropical do México.
O tomate é uma cultura em que a polinização faz diferença na formação, no tamanho e na qualidade dos frutos. Por isso, encontrar polinizadores eficientes para estufas é um tema de interesse prático para produtores. O estudo mostrou que a Nannotrigona perilampoides tem potencial para esse trabalho, abrindo caminho para o uso de uma abelha nativa da própria região em vez de espécies trazidas de fora.
É um bom exemplo de como as abelhas sem ferrão podem sair da curiosidade acadêmica e chegar à aplicação agrícola.
Não é só o tomate
Além do tomate, a espécie é registrada visitando e polinizando café, chuchu e várias cucurbitáceas de importância comercial, como melancia, pepino e abóbora. Ou seja, ela está presente em diversas lavouras importantes da região onde ocorre.
Uma abelha com muitos nomes
Poucas abelhas têm tantos nomes populares. Entre os povos maias, ela é conhecida como "bo'ol" e "yaxich". Pela América Central, também é chamada de "serenita", "doncelita-prieta", "mehenbol", "cigarrilla", "chicopipe" e "limón-cab". Praticamente cada região tem o seu jeito de chamá-la, o que mostra como ela faz parte da vida das pessoas há muito tempo.
Mel de uso tradicional
O mel da Nannotrigona perilampoides tem uso tradicional documentado para fins medicinais no México, na Guatemala e na Venezuela. Assim como acontece com outras abelhas sem ferrão das Américas, esse uso faz parte de um conhecimento passado de geração em geração.
Também tem seus inimigos
A espécie é alvo frequente de abelhas ladras do gênero Lestrimelitta, registradas na literatura como Lestrimelitta limao. Essas abelhas não coletam néctar nem pólen nas flores: elas invadem ninhos de outras espécies para roubar alimento e materiais de construção. Esse comportamento é chamado de cleptobiose.
Ciência moderna e conhecimento tradicional
Da estufa comercial aos nomes dados pelos povos maias, a Nannotrigona perilampoides mostra como uma única abelha pode ligar pesquisa agrícola, cultura e tradição. E reforça uma ideia cada vez mais presente na ciência: as abelhas nativas de cada região têm muito a oferecer à agricultura.
Fontes
CAUICH, O.; QUEZADA-EUÁN, J. J. G.; MACIAS-MACIAS, J. O.; REYES-OREGEL, V.; MEDINA-PERALTA, S.; PARRA-TABLA, V. Behavior and pollination efficiency of Nannotrigona perilampoides (Hymenoptera: Meliponini) on greenhouse tomatoes (Lycopersicon esculentum) in subtropical México. Journal of Economic Entomology, v. 97, n. 2, p. 475-481, 2004.
[COMPLETAR: fonte dos nomes populares, da distribuição e do uso medicinal do mel, por exemplo o Catálogo Moure]