A abelha que é praticamente um fóssil vivo
Espécie-tipo do gênero Nogueirapis, considerada uma das linhagens mais antigas e primitivas entre as abelhas sem ferrão, já foi comparada por cientistas a fósseis preservados em âmbar.
Existe uma abelha sem ferrão viva hoje que carrega características tão antigas que pesquisadores já a compararam diretamente com fósseis preservados em âmbar. Trata-se da Nogueirapis butteli, espécie-tipo de todo o gênero Nogueirapis — considerado pela comunidade científica um dos grupos mais arcaicos e primitivos dentro das abelhas sem ferrão.
Descrita em 1900 pelo entomologista Hugo Friese, a espécie é encontrada no Amazonas (Brasil), na Colômbia e no Peru, com localidade-tipo registrada em Vilcanota, no território peruano.
Comparada com fósseis de verdade
Um estudo científico publicado em 1959 comparou essa abelha diretamente com uma espécie fóssil encontrada preservada em âmbar do Chiapas, no México. O achado reforça a posição do gênero Nogueirapis como uma das linhagens vivas mais antigas entre as abelhas sem ferrão — um verdadeiro elo com a história evolutiva do grupo, ainda presente na floresta amazônica atual.
Um modo de vida primitivo
A Nogueirapis butteli nidifica de forma subterrânea, entre raízes de árvores — um traço comportamental também considerado primitivo entre as ASF, já que a maioria das espécies modernas prefere construir seus ninhos em ocos de árvores ou cavidades expostas.
A homenagem por trás do nome
O nome da espécie celebra o entomólogo alemão H. v. Buttel-Reepen, uma das figuras pioneiras nos estudos sobre a evolução do comportamento social das abelhas.
Enquanto pesquisadores buscam fósseis no subsolo, essa pequena abelha segue caminhando pela Amazônia como um exemplar vivo da própria história evolutiva das abelhas sem ferrão.
Fontes: Camargo, J. M. F., Pedro, S. R. M. & Melo, G. A. R. (2023). Catalogue of Bees (Hymenoptera, Apoidea) in the Neotropical Region — moure.cria.org.br/catalogue.